O que é a epilepsia?


A EPILEPSIA

Aspectos gerais da doença:

É caracterizada como uma doença crônica marcada por distúrbios epilépiticos recorrentes que atingem cerca de 0,5 a 1 por cento da população mundial. Sua incidência pode variar de acordo com idade, sexo, tipo de síndrome epiléptica e condição socioeconômica. Além disso, as crises convulsivas epilépticas, muitas das vezes, podem causar depressão transitória da consciência, deixando o indivíduo sob risco de lesão corporal e em muitos casos interferem nas suas atividades educativas, profissionais e sociais.

Fisiopatologia:

As crises epilépticas ocorrem em decorrência de descargas neuronais síncronas excessivas e anormais que iniciam no hipocampo com propagação para o córtex cerebral.
É marcada por um desbalanço inibitório e excitatório, gerando uma hiperexcitaçao neuronal que gera o hipersincronismo amplificado com redução da atividade sináptica inibitória e/ou aumento da atividade sináptica excitatória.
Os neurotransmissores envolvidos são GABA (inibitório) e GLUTAMATO (excitatório). Além disso, há alguns fatores que interferem na crise seja desencadeando ou suprimindo, por exemplo de alguns fármacos; antagonista de GABA a (desencadeiam as crises), agonistas de NMDA, AMPA e ácido caínico (receptores de glutamato—desencadeiam crises) ,também, fármacos que potencializam ação do gaba e antagonista de glutamato (suprimem as crises).

Classificação das crises epilépticas e manifestações clinicas:

 • Crise epiléptica focal (parcial): 60% dos casos
 A atividade paroxística começa em um foco do córtex e propaga-se para áreas adjacentes através de conexões neuronais difusas, a atividade limita-se a uma região do córtex que desempenha uma função básica, como movimento motor ou sensação, e não há nenhuma alteração no estado mental do paciente as manifestações mais comuns são : ouvir zumbidos, assobios e ruídos, borrão na vista, ver flashes de luz e escotomas, formigamento do membro contralateral, face ou lado do corpo, movimentos tônicos clônicos dos membros superiores ou inferiores, caretas (contraversivo: cabeça e olhos virados para o lado oposto), sudorese, rubor ou palidez e sensações epigástricas. Normalmente relacionada a uma lesão em determinada área do córtex, como tumor, malformação do desenvolvimento ou lesão decorrente de traumatismo ou AVE. A maioria das crises parciais complexas origina-se do lobo temporal; é a forma mais comum de epilepsia focal em adultos (40% dos casos)  70-80% dos casos intratáveis farmacologicamente estão associados ao lobo temporal o Ex.: crise focal com ou sem alteração do estado mental .


• Crise epiléptica generalizada:

Envolvem os dois hemisférios difusa e simultaneamente (40% dos casos), podendo ser:

- Primária: crise de ausência, resultam de sincronização anormal entre as células talâmicas e corticais. Podem ser crises de ausência, crises de convulsão mioclônicas ou tônico-clônica.
Secundária ocorre uma atividade paroxística começa em um foco, porém propaga- se em seguida para áreas subcorticais, tem maior relação com predisposição genética ex.: epilepsia mioclônica juvenil.

 A classificação das síndromes epilépticas é importante pois orienta a avaliação clínica, o tratamento e, em alguns casos, a escolha dos fármacos antiepilépticos.


Referências:
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas: epilepsia. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

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