Aspectos sociais do paciente com doença de Alzheimer
Aspectos sociais do paciente com doença de Alzheimer
A Doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo
e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória,
comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de
sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais, que afetam
milhares de brasileiros e cursam progressivamente com a diminuição da sua
funcionalidade social. Portanto, é de extrema importância que os profissionais
de saúde e os familiares dos doentes saberem, as principais perdas funcionais,
com o intuito de realizar um manejo correto, para que tal indivíduo tenha uma
menor perda de habilidades e de interação social. Essa postagem, abordará
alguns temas comuns, no qual muitos pacientes apresentam perdas , e alguns
cuidados que é necessário ter com esses:
Segurança
Uma pessoa que tem a Doença de
Alzheimer, aos poucos, vai perdendo a capacidade de cuidar de si, de tomar decisões
e de avaliar riscos. Essa situação requer planejamento e atenção por parte dos cuidadores,
uma vez que as exposições ao perigo devem ser evitadas. Através da convivência
com o paciente que o cuidador ou a família percebe suas perdas e dificuldades
na organização pessoal e orientação no tempo e no espaço e assim poderá traçar
estratégias mais objetivas para protegê-lo dos riscos a que está exposto nas
ações autônomas.
Não é medida confiável aceitar
exclusivamente o paciente acerca do relato de suas habilidades e realizações.
Muitas das vezes eles relatam conseguir fazer algo com intuito de tranquilizar
a família, por achar que é uma atividade básica.
Por
isso, monitorar ações com proximidade pode favorecer a segurança pessoal do
paciente e garantir que os riscos sejam evitados com adaptações continuadas do
ambiente, uma vez que há uma evolução da doença.Também,o oferecimento de
auxílios devem ser graduais, de tal forma que estendam o quanto for possível a
autonomia a cada etapa. Ficar por perto e observar sem interferir pode ser uma
estratégia eficaz na identificação de riscos.
O
ambiente domiciliar, também, pode oferecer riscos, mesmo em situações
corriqueiras que sempre fizeram parte dos hábitos dos pacientes. Pessoas com
Doença de Alzheimer que moram sozinhas apresentam uma maior chance de ter
contato com essas situações, pois esquecimentos e acidentes podem demorar a ser
percebidos, com consequências desastrosas. É recomendável que a família esteja
por perto e que possa passar períodos diurnos e noturnos com o paciente, para
monitorar sua rotina e verificar a presença de riscos. A ocorrência de acidentes,
muitas das vezes indicam que os pacientes não devem permanecer sem companhia,
pois sua reincidência é muito provável.
Riscos em ambientes externos
Os
ambientes públicos estão sujeitos a inúmeros riscos que são intensificados para
pacientes com DA, uma vez que muitos destes locais não estão preparados para
receberem o paciente com Alzheimer. Algumas tarefas, mesmo que habituais, podem
transformar-se em situações de risco, devido às inabilidades que se instalam.
Ao sair sozinho, o paciente pode, sem perceber, se expor a riscos que seriam
evitados ou minimizados se ele estivesse acompanhado. A locomoção segura requer
boa orientação espacial e memória para manutenção de informação sobre o
destino. Atravessar a rua é uma situação que requer atenção e agilidade. Os
terrenos das calçadas são mais irregulares e propensos a provocar quedas. Além
disso, a violência urbana é uma realidade e, especialmente em grandes centros,
o idoso pode ser o alvo de escolha de meliantes, devido à facilidade de
abordá-los.
Condução de veículos
Falta
de agilidade para tomada rápida de decisões, dificuldade de atenção com perda
de meta, distração aumentada e uma orientação espacial reduzida são prejuízos
comuns e que impedem uma direção segura. Quando o paciente apresentar as
primeiras dificuldades para guiar o carro, os familiares devem procurar a
melhor forma de agir, conversando com que ele e aos poucos convencendo ele a
deixar de dirigir, com o intuito de preservar a vida dele e a do outro ou, se
necessário, impedindo-o imediatamente. Essa atitude pode ser traumática, porém,
necessária, pois pode não só colocá-lo em risco como expor terceiros a perigos
graves.
Risco financeiro
A
pessoa com Doença de Alzheimer, aos poucos, perde a capacidade de lidar com o
dinheiro, de fazer contas e a noção de valor. Assim, ele apresenta risco de ser
assaltado, de fazer grandes doações, ou então perder dinheiro. É comum o uso de
cartões de debito ou crédito para realizarem operações bancarias ou compras,
contudo a tecnologia pode ser um complicador no gerenciamento de contas e
finanças, pois é comum o paciente perder as senhas e pedir ajuda à estranhos e,
consequentemente, ficar mais suscetível a ações de pessoas de má fé. Quando os
pacientes fizerem uso inadequado dos recursos e se expuser a riscos, deve-se
questionar a continuidade de permanecer no controle de suas finanças e buscar
alternativas seguras de transição de responsabilidades.
Organização de informações
e documentos
As
dificuldades de memória, de atenção e de planejamento da pessoa com Doença de
Alzheimer prejudicam o gerenciamento de atividades diárias relacionadas a
contabilidades básicas, que muitas das vezes antes da doença eram realizadas
com facilidade. É importante que a família auxilie na organização da rotina e
que instruções e dados importantes do paciente fiquem disponíveis para quem
possa acompanhar o paciente. É comum que cuidados sejam centralizados em um
único cuidador, situação que, além de sobrecarregar o familiar-cuidador impede
a segurança do paciente em diversos contextos.
Além dos cuidados necessários para ter
com o paciente em suas atividades diárias, os pacientes com DA apresentam
alguns direitos garantidos pela portaria 703, assinada pelo ministério da saúde
em 2002, que instituiu o "Programa de
Assistência aos Portadores da Doença de Alzheimer"
Os direitos estabelecidos pela portaria
englobam:
- Consultas
para diagnóstico.
- Atendimento
na rede púbica.
- Atendimento
em hospital-dia.
- Atendimento
hospitalar.
- Visita
domiciliar de profissional da saúde.
- Tratamento
acompanhado por equipe multidisciplinar.
- Programa de orientação e treinamento para familiares.
- Medicação gratuita (rivastigmina, donepezil e galantamina)
- FOLLE, Aline Duarte; SHIMIZU, Helena Eri; NAVES, Janeth de Oliveira Silva. Social representation of Alzheimer's disease for family caregivers: stressful and rewarding. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo , v. 50, n. 1, p. 79-85, Feb. 2016 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342016000100079&lng=en&nrm=iso>. access on 11 Nov. 2019. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-623420160000100011.
- ABRAz, Associação Brasileira de Alzheimer. Demência. [2019.] Disponível:<http://abraz.org.br/web/ > . Acesso em: 13 de nov de 2019.

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